Porto estreia Metrobus a hidrogénio na Boavista: viagens grátis em março

Transportation,  Environment
Hydrogen-powered metrobus circling Boavista roundabout near Casa da Música in Porto
The Portugal Post Staff
Published December 21, 2025

Portuenses que circulam diariamente pela Avenida da Boavista podem começar a contar os dias: dentro de apenas nove semanas, o primeiro Metrobus a hidrogénio do país passará a dar a volta completa à rotunda e a ligar, em minutos, o centro da cidade ao Atlântico. A estreia promete viagens gratuitas em março, frequências de quatro minutos nos troços mais procurados e, segundo a Câmara, emissões locais nulas.

What changes on the street – and why it matters

A rotunda onde carros, trotinetes e turistas disputam espaço foi escolhida como ponto de inversão de marcha depois de meses de simulações. A manobra não é meramente simbólica: garante que o serviço pode começar e terminar junto da Casa da Música, anfitriã de ​+30 mil passageiros diários esperados. Para evitar engarrafar o tráfego, a operadora STCP colocará um veículo extra em espera – enquanto um Metrobus contorna a rotunda, outro já parte, mantendo a cadência prometida.

First-hand experience: o que vai encontrar

Ao subir a bordo de um CAETANO H2.CityGold 18 – com portas de ambos os lados e capacidade para 135 pessoas – os utilizadores notarão piso rebaixado, carregadores USB e informação em tempo real. Durante o mês inaugural, bastará validar um cartão Andante para garantir gratuidade; a partir de abril, vigora a tarifa zonal normal. O trajeto Boavista-Império durará 12 minutos; quem seguir até à Anémona, em Matosinhos, chegará em 17.

Key figures at a glance

12 Metrobus articulados, todos a hidrogénio verde

4 min de intervalo no tronco comum Casa da Música – Marechal Gomes da Costa

€76 M de investimento, 100 % financiado pelo PRR e pelo programa Next Generation EU

31 000+ validações diárias previstas na primeira fase

Redução potencial de 78 292 t de CO₂ nos próximos anos

Environment & economy: a dupla aposta

Porto reclama uma descida de 52,2 % nas emissões desde 2004, mas os transportes continuam a ser o calcanhar-de-Aquiles. Cada autocarro do novo sistema emite apenas vapor de água; a energia virá de um eletrolisador instalado em Francos, alimentado por painéis solares. Ao mesmo tempo, a velocidade comercial de 20 km/h promete cortar quase pela metade as atuais viagens Boavista-Foz, libertando tempo de trabalho e modestos milhões em produtividade anual, de acordo com a CCDR-Norte.

Construction diary: como se chegou aqui

As obras do troço Boavista – Império concluíram-se no verão de 2024, mas a pandemia, a escalada dos materiais pós-Ucrânia e o ajuste ao piso central junto ao Parque da Cidade empurraram o arranque para o final de fevereiro de 2026. A opção foi usar o hiato para afinar semáforos, receber a homologação do IMT e treinar motoristas em pista fechada no Parque de Manutenção do Metro.

Next stop: Matosinhos e a frente marítima

A segunda fase reabriu estaleiros em novembro último. Ali, o desafio é encaixar o canal dedicado sem amputar árvores centenárias da Avenida da Boavista nem alienar condutores que entram na Via Interna de Ligação. O contrato prevê conclusão em agosto 2026, adicionando paragens em Antunes Guimarães, Nevogilde e Castelo do Queijo. Quando pronta, a rede terá 14 km operados com oito veículos/hora em cada sentido.

Where the Metrobus fits in the big picture

Não se trata de rivalizar com o metro subterrâneo, lembram técnicos da AP transportes: o objetivo é oferecer um «corredor rápido» onde a catenária seria cara ou urbanisticamente intrusiva. A interoperabilidade com os títulos Andante permitirá transbordos gratuitos nos 60 min seguintes, conectando-se a São Bento em três estações de metro convencional. Para moradores de Matosinhos Sul significa, pela primeira vez, chegar ao Hospital Santo António sem trocar de veículo.

The road ahead

Faltam ainda testes de drenagem na zona de Serralves e a calibração do software de prioridade semafórica, mas o cronograma mantém-se. Se tudo correr como previsto, a 1 de março o Porto terá um novo símbolo de mobilidade limpa – e uma rotunda da Boavista finalmente reconhecida como ponto de encontro do futuro, não apenas do trânsito.

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